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Crédito à exportação deve ser prioridade

Terça-feira 27 de Janeiro de 2015.

Segundo especialistas, mesmo em ano de restrição fiscal, financiamento é importante para compensar o baixo crescimento do País e melhorar balança de pagamentos

Paula Salati

O ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro, disse que EUA são "mercado irrecusável" em 2015
Foto: Fotos Públicas

São Paulo - Especialistas acreditam que ampliar as linhas de crédito às vendas externas do País deve ser uma das prioridades do plano de estímulos às exportações, que está sendo elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).

No último dia 23, o ministro da pasta, Armando Monteiro, afirmou que o projeto deve ser apresentado em cerca de um mês. Um dos focos do plano, segundo ele, é ampliar o Programa de Financiamento às Exportações (Proex) na modalidade "equalização".

Nesse mecanismo, o ministério repassa recursos a bancos privados para que esses ofereçam, aos exportadores, linhas de crédito com taxas menores daquelas praticadas no mercado.

O sócio diretor da Barral M Jorge Consultores Associados, Welber Barral, diz que a ampliação deste programa pode se tratar de um aumento no valor previsto ao Proex. "Atualmente, são destinados apenas R$ 502 milhões ao Proex Equalização. É um valor muito pequeno, ainda que seja voltado somente para as exportações de produtos industrializados", afirma Barral.

"As entidades do setor estão reclamando há muito tempo para que os recursos ao Proex se elevem. E acredito que uma ampliação do programa seja encaminhada desta forma", complementa.

Restrição fiscal

Para o consultor da GO Associados, o embaixador Regis Arslanian, mesmo em um ano de restrição fiscal, as políticas de incentivo à exportação são bem vindas. "Fomentar as vendas externas é importante neste momento para mitigar os problemas da nossa balança de pagamentos e compensar o baixo crescimento interno. Portanto, incentivar a exportação não é uma opção, é uma prioridade", afirma o embaixador. "Não se trata de incentivar o consumo, mas de realizar um investimento", ressalta ele.

No último dia 23, Monteiro também anunciou que irá manter o Reintegra, programa de compensação de tributos ao exportador.

Coordenação

Para Barral, um plano de exportação deve levar em conta também uma maior coordenação entre as ações dos ministérios que participam do comércio exterior. "Hoje temos diversas promoções comerciais de diferentes ministérios. As ações, portanto, acabam ficando desencontradas. É preciso afinar isso", sugere Barral.

Além disso, o consultor afirma que, em um ano em que é necessário conter gastos, outras medidas que podem ser implementadas e que não exigem muito custo são fortalecer a fiscalização do setor e promover ações de facilitação do comércio. "Uma delas já está em curso, que é o Portal Único de Comércio Exterior".

Na avaliação dos especialistas, os Estados Unidos devem ser um mercado preferencial do comércio exterior brasileiro neste ano. O ministro do Desenvolvimento chegou a afirmar, ontem, que o país parceiro é uma "prioridade irrecusável" na pauta de acordos comerciais.

Na ocasião, ele ressaltou a importância dos EUA para as nossas vendas externas de manufaturados e informou que, em 2014, o Brasil aumentou em 20% as exportações de máquinas para o mercado norte-americano.

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Fonte: Diário Comércio Indústria & Serviços

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