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Londrina foi prelúdio para casos da Lava-Jato

Quarta-feira 28 de Janeiro de 2015.

Por Ligia Guimarães | De Londrina

Bruno Sérgio Galatti: "Não evitamos a queda do que seria um grande avião"

Em 2000, o doleiro Alberto Youssef, que ficou nacionalmente conhecido quando foi preso no ano passado na Operação Lava-Jato, já era famoso na cidade de Londrina. Ao longo daquele ano, a prisão do doleiro já era cobrada e encenada por manifestantes que realizavam atos públicos semanais no calçadão do centro da cidade em protesto contra os casos de corrupção descobertos na prefeitura.

Embora as investigações do Ministério Público à época já o descrevessem como "o doleiro dos doleiros", com atuação em operações de lavagem de dinheiro em nível nacional, foi um deslize cometido na cidade que tornou Youssef réu no processo que investigou o escândalo de corrupção que derrubou o prefeito Antonio Belinati.

Também ganharam projeção nacional outros nomes que, à época, estavam envolvidos no esquema de corrupção desmontado na prefeitura da cidade. André Vargas, que teve seu mandato de deputado federal cassado em dezembro de 2014, era vereador de Londrina em 2000. José Janene, morto em 2010 e que foi um dos réus do mensalão, é até hoje apontado como braço direito e mentor dos esquemas de corrupção que envolviam Belinati.

Para a maioria dos entrevistados em Londrina, ouvidos durante a semana em que a reportagem esteve na cidade para falar sobre corrupção, os supostos crimes investigados na Operação Lava-Jato são familiares, em métodos e personagens, à experiência de corrupção enfrentada pela cidade nas últimas décadas. "Já vivenciamos um desmanche de uma operação muito similar aqui em Londrina, que foi o escândalo Ama/Comurb. Os protagonistas atuais são os descendentes políticos daquele", diz o atual prefeito de Londrina, Alexandre Kireef (PSD).

O maior caso de corrupção da história londrinense envolveu o desvio de verbas públicas do caixa da empresa de telefonia municipal, a Sercomtel, por meio de fraudes em contratos públicos e lavagem de dinheiro, com o objetivo de financiar campanhas políticas.

Para Bruno Sérgio Galatti, hoje subprocurador-Geral da Justiça do Ministério Público do Paraná e um dos principais investigadores do caso, a experiência com o esquema de corrupção em Londrina poderia ter servido de alerta para impedir os casos denunciados na Operação Lava-Jato.

"Foi um crescente. Caiu um pequeno avião em Londrina, não atacamos o ponto, e não evitamos a queda do que seria um grande avião, em termos comparativos. A facilidade que eles [os investigados no suposto esquema de corrupção] tiveram de atuar aqui, e agora nacionalmente, é um absurdo", afirma Galatti, que ocupava o cargo de promotor do patrimônio público em 2000. "Falta da parte da sociedade uma postura mais rígida no sentido de analisar o problema e exigir dos administradores que isso não ocorra mais", diz o subprocurador-geral.

Foi sob a tutela de Galatti que, naquele ano, o MP descobriu que Youssef descontou, em uma agência de Londrina do extinto banco estadual Banestado, um cheque de R$ 120 mil, pago a uma empresa que não existia, por serviços que não foram prestados, e contratados por meio de licitações forjadas na antiga Autarquia Municipal do Ambiente (Ama), atual Secretaria Municipal do Ambiente (Sema). O dinheiro teria sido distribuído por Youssef.

André Vargas foi réu no mesmo escândalo, sob a acusação de receber R$ 10 mil do caixa dois do então prefeito Antonio Belinati para financiar a campanha do filho, Antonio Carlos, a deputado estadual.

O Ministério Público estima que, caso houvesse cumprido pena pelos crimes comprovados em Londrina, Youssef, que começou sua carreira trazendo video-cassetes do Paraguai para vender na cidade nos anos 80, estaria preso há 14 anos. "Prendemos o Youssef em 2000, ele foi solto, prendemos de novo. Nem sei se chegou a ficar 30 dias preso", diz o promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina, Cláudio Esteves, companheiro de Galatti na força-tarefa, e que à época cumpriu pessoalmente o mandato de prisão do doleiro. "Se ele tivesse cumprido a pena, possivelmente não teria acontecido isso [a suposta lavagem em nível nacional]".

A promotora Leila Schimiti lembra da autoconfiança demonstrada por Youssef em um depoimentos em 2005, no MP de Londrina. "Ele tinha uma maleta [tipo] 007 e falava: a senhora sabe quantas notas de dólares cabem aqui, uma em cima da outra? Um milhão", diz.

Ao fim das investigações, o MP apresentou a denúncia em relação a apenas um cheque do doleiro. Já se sabia, no entanto, que Youssef operava outras dezenas e dezenas de contas fraudadas. "Ele já era investigado pela Polícia Federal no caso Banestado", diz Esteves. "Não tenho nenhuma dúvida de que nessa época ele já tinha uma operação nacional. O escritório dele era muito avançado tecnologicamente", diz Esteves, para quem o processo de Londrina representa um "fragmentozinho" no currículo de Youssef, mas serviu para chamar a atenção para as atividades do doleiro.

Bruno Galatti diz que, à época, o MP não tinha recursos para monitorar as transações de Youssef. A atuação do MP no episódio Ama/Comurb, inclusive, ajudou a instituição a receber mais auditores e criar o atual grupo especial para investigar o crime organizado. Para Galatti, o custo dos crimes de corrupção à sociedade são subestimados. "Todos os anos, muitas pessoas morrem nas filas dos hospitais por desvio de recursos públicos", afirma. "São vários momentos em que se podia ter aperfeiçoado isso e dito: isso não vai mais acontecer em Londrina, isso não vai mais acontecer no Paraná, não vai mais acontecer no Brasil. Mas a nossa opção ainda é a de deixar correr", afirma.

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Fonte: Valor Econômico

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